Observação clínica

O que é acidente vascular cerebral ou (AVC)?

relogio Atualizado 24 de agosto de 2026
Beldo Celestino Saraiva
Revisão: Beldo Celestino Saraiva
Formado no curso: Técnico de enfermagem geral

O acidente vascular cerebral (AVC), também conhecido como derrame cerebral, é uma alteração súbita que ocorre quando o fornecimento de sangue para uma parte do cérebro é interrompido ou quando um vaso sanguíneo cerebral se rompe, causando lesão nas células nervosas.

O cérebro necessita de um fornecimento constante de sangue para receber oxigénio e nutrientes essenciais ao seu funcionamento. Quando esse fluxo é reduzido ou interrompido, as células cerebrais começam a sofrer danos, podendo provocar alterações nos movimentos, fala, memória, equilíbrio e outras funções do organismo.

Acidente vascular cerebral (AVC): é uma condição médica grave caracterizada pela interrupção pela interrupção e diminuição súbita do fluxo sanguíneo para uma parte do cérebro.

Esta interrupção impede que o cérebro receba oxigênio e nutrientes essenciais, resultando na morte de células cerebrais e podendo causar danos neurológicos permanentes.

O AVC é uma emergência médica que requer atenção imediata. Reconhecer os sinais precocemente, combinar medidas preventivas e seguir orientações médicas pode salvar vidas e reduzir sequelas a longo prazo. A conscientização e a educação em saúde pública são essenciais para diminuir a incidência e o impacto do AVC na população.

O AVC é considerado a segunda principal causa de morte no mundo e a principal causa de incapacidade permanente em adultos.

Os tipos de acidentes vascular cerebral

  1. AVC Isquêmico (≈ 85% dos casos): causado por uma obstrução em uma artéria que leva sangue ao cérebro, geralmente por um coágulo. É o tipo mais comum. Há também o AIT (Ataque Isquêmico Transitório), conhecido como “mini AVC”, em que a obstrução é temporária e os sintomas desaparecem em menos de 24 horas mas é um sinal de alerta importante.
  2. AVC Hemorrágico: ocorre quando há o rompimento de um vaso sanguíneo dentro do cérebro, que vai causar um sangramento cerebral sendo o tipo mais grave de AVC.

Causas e factores de riscos

O AVC pode acontecer devido a vários factores que afectam a circulação sanguínea cerebral. Uma das principais causas é a hipertensão arterial, pois a pressão elevada durante muitos anos pode danificar as paredes dos vasos sanguíneos, aumentando o risco de obstrução ou ruptura. Os principais factores que aumentam o risco de ocorrência do AVC incluem:

Os sinais e sintomas de acidente vascular cerebral

Uma forma simples de reconhecer os sinais é lembrar da sigla SAMU:

Prevenção de AVC

Medidas preventivas são fundamentais para reduzir o risco de acidentes vascular cerebral:

Complicações de acidente vascular cerebral

O Acidente vascular cerebral pode causar diferentes complicações, dependendo da gravidade, da região do cérebro afetada e da rapidez do atendimento.

Complicações podem ser físicas, cognitivas, emocionais ou secundárias a problemas médicos, AVC pode surgir através de uma hipertensã, por isso é bom controlar a hipertensão. Temos as seguintes complicações:

  1. Paralisia (hemiplegia/hemiparesia): é perda parcial (hemiparesia) ou total (hemiplegia) da força em um lado do corpo. Impacto: limita a mobilidade, independência nas actividades diárias, higiene pessoal, alimentação e locomoção.
  2. Alterações na fala e linguagem ou (afasia): dificuldade para falar, entender, ler ou escrever, geralmente associada a lesões no hemisfério cerebral dominante. Impacto: comunicação prejudicada, frustração, isolamento social e dificuldade em manter relacionamentos ou trabalho.
  3. Alterações cognitivas: prejuízos de memória, atenção, raciocínio lógico, tomada de decisões e planejamento. Impacto: dificuldade para organizar atividades diárias, seguir instruções, trabalhar ou retomar estudos.
  4. Problemas de deglutição (disfagia): dificuldade para engolir alimentos e líquidos. Impacto: aumenta o risco de engasgo e pneumonia aspirativa, que pode ser grave ou fatal.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico de AVC envolve avaliação clínica e exames de imagem, como tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM), que permitem identificar o tipo do AVC e a extensão da lesão cerebral.

O tratamento do AVC (acidente vascular cerebral) depende do tipo de AVC e do tempo decorrido desde o início dos sintomas. Vou detalhar de forma clara:

AVC Isquêmico: trombólise intravenosa: administração de medicamento para dissolver o coágulo (ativador de plasminogênio tecidual – tPA), geralmente até 4,5 horas após o início dos sintomas. Trombectomia mecânica: remoção do coágulo com cateter, indicada em casos de grandes vasos obstruídos, até cerca de 6 a 24 horas dependendo do exame de imagem.

Controle de factores de risco de acidente cerebral vascular: anticoagulantes, antiagregantes plaquetários, controle de pressão, diabetes mellitus e colesterol.

AVC Hemorrágico: controle da pressão arterial e da coagulação. Cirurgia em casos selecionados: remoção do hematoma ou reparo do vaso rompido. Monitoramento intensivo em UTI para evitar complicações como aumento da pressão intracraniana.

O AVC é uma emergência médica que exige reconhecimento rápido dos sintomas e atendimento imediato. A prevenção através de hábitos saudáveis e acompanhamento médico contínuo é essencial para reduzir risco. A reabilitação adequada pode melhorar significativamente a qualidade de vida do paciente após o AVC.

Recomendações

A hipertensão é o principal factor de risco para AVC, pressão arterial alta contínua danifica os vasos sanguíneos, aumentando a chance de coágulos e hemorragias cerebrais. Medir a pressão regularmente, seguir a prescrição médica e adotar hábitos saudáveis são essenciais para prevenção.

O excesso de açúcar e colesterol no sangue contribui para a formação de placas nas artérias (aterosclerose), aumentando o risco de bloqueios que podem causar AVC isquêmico. É importante manter exames periódicos e seguir orientações médicas sobre dieta, medicamentos e hábitos de vida.

Fumar provoca inflamação e endurece os vasos sanguíneos, enquanto o consumo excessivo de álcool eleva pressão arterial. A abstinência ou redução significativa desses hábitos diminui consideravelmente o risco vascular desse problema.


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