O que é diabetes? Causas, sintomas e tipos
Formado no curso: Técnico de enfermagem geral
Diabetes é uma condição crônica que ocorre quando o corpo apresenta dificuldade para manter os níveis de glicose no sangue dentro de uma faixa adequada. Isso ocorre quando o pâncreas não produz insulina suficiente ou quando o organismo tem dificuldade para aproveitar esse hormônio de forma adequada.
A insulina é produzida pelo pâncreas e ajuda a glicose a entrar nas células, onde pode ser aproveitada para gerar energia. Quando esse processo não funciona adequadamente, a glicose pode se acumular no sangue e causar hiperglicemia.
Existem diferentes tipos de diabetes. Entre os tipos mais comuns estão o diabetes tipo 1, o tipo 2 e o diabetes gestacional. Eles possuem causas, características e formas de tratamento diferentes.
Algumas pessoas apresentam sintomas como sede excessiva, vontade frequente de urinar, cansaço, visão turva e perda de peso sem explicação. No diabetes tipo 2, porém, os sinais podem ser discretos ou demorar anos para aparecer.Por esse motivo, os exames de sangue têm um papel importante na identificação do diabetes. Organização Mundial da Saúde.
Como a diabetes acontece?
Para entender o diabetes, é útil conhecer a relação entre glicose e insulina. A glicose é uma importante fonte de energia para o funcionamento do organismo.
Depois da alimentação, parte dos carboidratos é transformada em glicose e passa para o sangue. O pâncreas produz insulina, um hormônio que ajuda a glicose do sangue a entrar nas células para ser utilizada pelo organismo.
No diabetes tipo 1, o sistema imunológico ataca as células do pâncreas que produzem insulina, levando à redução ou interrupção da produção desse hormônio. No tipo 2, o organismo ainda produz insulina, mas não consegue utilizá-la de forma adequada. Com o tempo, o pâncreas também pode passar a produzir menos insulina.
Quando a glicose permanece elevada no sangue por períodos prolongados, pode haver danos aos vasos sanguíneos e a diferentes órgãos, incluindo coração, rins, olhos e nervos.
Quais são os principais tipos de diabetes?
Os tipos de diabetes mais conhecidos são o tipo 1, o tipo 2 e o diabetes gestacional. Existem ainda formas menos frequentes relacionadas a alterações genéticas, doenças do pâncreas e alguns medicamentos.
Diabetes tipo 1
O diabetes tipo 1 ocorre quando o sistema imunológico passa a atacar as células do pâncreas que produzem insulina. No diabetes tipo 1, uma reação do sistema imunológico destrói as células pancreáticas que fabricam insulina, reduzindo muito ou interrompendo a produção desse hormônio.
Pode surgir na infância, adolescência ou idade adulta. Apesar de ser mais comum em pessoas jovens, pode aparecer em qualquer idade.
O acompanhamento também envolve verificar regularmente a glicemia, ter uma alimentação adequada e manter-se fisicamente ativo conforme a orientação dos profissionais de saúde.
Diabetes tipo 2
O diabetes tipo 2 é o tipo mais frequente da enfermidade. Nesse caso, o organismo não utiliza a insulina de maneira eficiente, fenômeno chamado resistência à insulina. Com o passar do tempo, o pâncreas pode deixar de produzir insulina em quantidade suficiente para compensar essa resistência.
O risco é influenciado por vários fatores, incluindo histórico familiar, idade, excesso de peso, baixa atividade física e outros aspectos metabólicos. O diabetes tipo 2 também pode ocorrer em crianças, adolescentes e adultos jovens.
Há formas de reduzir o risco de desenvolver diabetes tipo 2, principalmente por meio de alimentação adequada, atividade física regular e outros hábitos relacionados à saúde. Entretanto, genética e outros fatores também participam do risco, portanto a doença não deve ser atribuída somente ao estilo de vida.
Diabetes gestacional
O diabetes gestacional é uma alteração da glicose identificada durante a gravidez. As mudanças hormonais da gestação podem aumentar a resistência à insulina e dificultar o controle da glicemia.
Nem sempre existem sintomas. Por isso, a identificação costuma ocorrer por meio de exames realizados durante o acompanhamento pré-natal.
Após a gravidez, a glicemia pode voltar ao intervalo habitual, mas quem teve diabetes gestacional apresenta maior risco de desenvolver diabetes tipo 2 posteriormente e deve manter acompanhamento adequado.
Outros tipos de diabetes
Existem formas menos comuns de diabetes relacionadas a alterações genéticas, doenças que afetam o pâncreas ou uso de determinados medicamentos. A classificação correta depende da causa identificada.
Por isso, diabetes gestacional não deve ser chamado de diabetes tipo 3. São categorias diferentes.
Quais são os sintomas de diabetes?
Os sintomas podem variar conforme o tipo de diabetes e o grau de alteração da glicose. Os mais conhecidos incluem:
- Sede excessiva;
- Vontade de urinar com frequência;
- Fome aumentada;
- Cansaço persistente;
- Visão turva;
- Perda de peso sem explicação;
- Infecções recorrentes em algumas pessoas;
- Feridas que apresentam dificuldade de cicatrização.
No diabetes tipo 1, os sintomas podem aparecer de maneira relativamente rápida. No tipo 2, podem ser leves ou permanecer ausentes durante bastante tempo.
Ter um desses sintomas não significa, por si só, que a pessoa tenha diabetes. O diagnóstico é feito a partir da observação clínica e dos exames indicados para cada caso.
Quais são os fatores de risco?
As condições que favorecem o surgimento do diabetes podem ser diferentes de acordo com o tipo da doença.
No diabetes tipo 2, estão entre os fatores associados ao maior risco:
- Histórico familiar de diabetes tipo 2;
- Excesso de peso ou obesidade;
- Baixa atividade física;
- Idade mais avançada;
- Histórico de diabetes gestacional;
- Histórico de pré-diabetes; hipertensão arterial;
- Síndrome dos ovários policísticos;
Mesmo sem fatores de risco identificados, uma pessoa ainda pode desenvolver diabetes.
O que é pré-diabetes?
Pré-diabetes é uma condição em que os níveis de glicose estão acima do intervalo considerado normal, mas ainda não atingem os critérios laboratoriais usados para diagnosticar diabetes.
Ela pode não causar sintomas perceptíveis. Por isso, algumas pessoas só descobrem a alteração ao realizar exames de sangue.
O pré-diabetes está associado a maior risco de desenvolver diabetes tipo 2. Mudanças de hábitos podem ajudar a reduzir ou retardar esse risco em pessoas que apresentam essa condição.
Como é feito o diagnóstico de diabetes?
Na maioria dos casos, a confirmação do diagnóstico é realizada com exames de sangue. Os testes mais utilizados incluem glicemia de jejum, hemoglobina glicada e teste oral de tolerância à glicose.
A escolha do exame depende da situação clínica, idade, presença de sintomas, gravidez e outros fatores.
Glicemia de jejum
A glicemia de jejum mede a concentração de glicose no sangue após um período sem ingestão de alimentos. Em adultos não grávidos, valores de 126 mg/dL ou mais podem preencher o critério laboratorial para diabetes, sendo necessária confirmação em muitas situações.
Hemoglobina glicada
A hemoglobina glicada, ou HbA1c, fornece uma estimativa da glicemia média dos últimos meses e pode ser utilizada para diagnosticar diabetes tipo 2 e pré-diabetes em condições apropriadas.
De acordo com os critérios laboratoriais usados atualmente, HbA1c entre 5,7% e 6,4% corresponde à faixa de pré-diabetes, enquanto 6,5% ou mais corresponde ao critério laboratorial para diabetes.
Teste oral de tolerância à glicose
O teste oral de tolerância à glicose, conhecido como TOTG ou OGTT, avalia como o organismo responde à ingestão de uma quantidade padronizada de glicose.
Em pessoas não grávidas, uma glicemia de 200 mg/dL ou mais duas horas após a ingestão da solução de glicose atende ao critério laboratorial para diabetes.
Glicemia plasmática aleatória
Quando existem sintomas clássicos de hiperglicemia, uma glicemia plasmática aleatória de 200 mg/dL ou mais pode ser utilizada no diagnóstico de diabetes. A interpretação deve ser feita por um profissional de saúde considerando o quadro clínico.
Quais são os valores de glicemia?
Para pessoas não grávidas, os valores usados como referência para rastreamento e diagnóstico podem ser organizados desta forma:
| Exame | Normal | Pré-diabetes | Diabetes |
|---|---|---|---|
| Glicemia de jejum | Menor que 100 mg/dL | 100 a 125 mg/dL | 126 mg/dL ou mais |
| HbA1c | Menor que 5,7% | 5,7% a 6,4% | 6,5% ou mais |
| TOTG, 2 horas | Menor que 140 mg/dL | 140 a 199 mg/dL | 200 mg/dL ou mais |
Esses valores são utilizados para pessoas que não estão grávidas. Na gestação, os exames e pontos de corte podem ser diferentes.
Um resultado isolado não deve ser interpretado como diagnóstico definitivo sem considerar o contexto clínico e o método utilizado. Quando não existe hiperglicemia inequívoca, geralmente é necessária confirmação por um segundo teste.
O que é glicemia?
Glicemia: corresponde à quantidade de glicose que circula no sangue. A glicose é utilizada pelas células como fonte de energia, e sua quantidade no sangue é regulada por mecanismos hormonais, principalmente pela ação da insulina e do glucagon.
Os níveis de glicose variam ao longo do dia em resposta à alimentação, atividade física, hormônios, estresse, medicamentos e outros fatores.
Quais complicações o diabetes pode causar?
Quando a glicose permanece elevada por longos períodos, o diabetes pode contribuir para danos aos vasos sanguíneos e aos nervos.
Entre as possíveis complicações estão:
- Doença cardiovascular;
- Doença renal como a insuficiência renal crônica;
- Retinopatia e perda de visão;
- Neuropatia;
- Problemas nos pés;
- Úlceras;
- Maior risco de alguns problemas de circulação.
Diabetes pode causar danos ao coração, rins, olhos, nervos e vasos sanguíneos. O controle adequado da doença e o acompanhamento regular ajudam a reduzir o risco de complicações.
Como prevenir o diabetes tipo 2?
Nem todos os casos de diabetes podem ser prevenidos. O diabetes tipo 1, por exemplo, não possui atualmente uma estratégia comprovada de prevenção.
No diabetes tipo 2, algumas mudanças podem ajudar a prevenir ou retardar o desenvolvimento da doença, principalmente em pessoas com maior risco.
- Manter uma alimentação equilibrada;
- Praticar atividade física regularmente;
- Evitar o tabagismo;
- Manter um peso corporal saudável, quando possível;
- Monitorar a pressão arterial e observar outros fatores que podem aumentar os riscos;
- Realizar exames quando houver indicação profissional.
A OMS recomenda pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana como parte das medidas de prevenção do diabetes tipo 2.
Para pessoas com pré-diabetes, pequenas mudanças de peso e aumento da atividade física podem reduzir o risco de progressão para diabetes tipo 2.
Como o diabetes é tratado?
O tratamento depende do tipo de diabetes, dos níveis de glicose, da idade, da presença de outras doenças e de outros fatores individuais.
Tratamento do diabetes tipo 1
Como o organismo deixa de produzir insulina adequadamente, pessoas com diabetes tipo 1 precisam utilizar insulina. O tratamento também pode envolver monitorização da glicose, alimentação adequada e atividade física orientada.
Tratamento do diabetes tipo 2
O tratamento pode incluir mudanças na alimentação, atividade física, controle de outros fatores de risco e medicamentos prescritos pelo profissional de saúde. Dependendo da situação, diferentes medicamentos podem ser utilizados e algumas pessoas também precisam de insulina.
Tratamento do diabetes gestacional
O cuidado durante a gestação envolve acompanhamento pré-natal, alimentação adequada, atividade física quando liberada e monitorização da glicose. Quando necessário, a equipe de saúde pode indicar medicamentos, incluindo insulina.
Não existe uma única estratégia de tratamento adequada para todas as pessoas. Medicamentos e doses devem ser definidos individualmente por profissionais habilitados.
Quais exames são usados para acompanhar quem tem diabetes?
Depois do diagnóstico, o acompanhamento não se limita à medição da glicose. A equipe de saúde pode solicitar exames e avaliações para acompanhar o controle da doença e identificar precocemente possíveis complicações.
Entre eles podem estar a hemoglobina glicada, avaliação da função renal, exames relacionados aos olhos, avaliação dos pés, pressão arterial e perfil lipídico. A frequência depende do tipo de diabetes e das características de cada pessoa.
O glicosímetro também pode ser utilizado para monitorar a glicose em casa quando essa estratégia faz parte do plano de cuidado.
Quando procurar atendimento?
Sede intensa, urinação frequente, perda de peso sem explicação, visão turva ou cansaço persistente merecem avaliação, principalmente quando aparecem juntos.
Sintomas intensos ou que surgem rapidamente precisam de atenção médica. No diabetes tipo 1, alterações importantes da glicose podem evoluir rapidamente e exigir atendimento urgente.
Também é importante procurar avaliação quando um exame apresenta glicose elevada, mesmo que a pessoa não tenha sintomas. O diabetes tipo 2 pode permanecer silencioso durante bastante tempo.
Conclusão
Diabetes é uma doença crônica relacionada à dificuldade do organismo em controlar a glicose no sangue. Os principais tipos são o diabetes tipo 1, o diabetes tipo 2 e o diabetes gestacional, e cada um possui características próprias.
Sede excessiva, urinação frequente, cansaço, visão turva e perda de peso sem explicação podem ocorrer, mas algumas pessoas, principalmente com diabetes tipo 2, podem não apresentar sintomas claros.
O diagnóstico depende de exames apropriados, como glicemia de jejum, HbA1c e teste oral de tolerância à glicose. Identificar a doença cedo permite iniciar o acompanhamento e reduzir o risco de complicações.
Perguntas frequentes sobre diabetes
O que é diabetes?
O diabetes é uma condição crônica que afeta a capacidade do organismo de manter os níveis de glicose no sangue sob controle. Isso pode acontecer por falta de insulina, produção insuficiente desse hormônio ou dificuldade para utilizá-lo corretamente.
Quais são os principais tipos de diabetes?
Os tipos mais conhecidos de diabetes são o tipo 1, o tipo 2 e o diabetes gestacional. Existem também formas menos comuns relacionadas a alterações genéticas, doenças do pâncreas e alguns medicamentos.
Quais são os sintomas de diabetes?
Sede excessiva, urinação frequente, fome aumentada, cansaço, visão turva e perda de peso sem explicação estão entre os sintomas possíveis. No diabetes tipo 2, os sinais podem ser leves ou inexistentes por bastante tempo.
Qual glicemia indica diabetes?
Em pessoas não grávidas, glicemia de jejum de 126 mg/dL ou mais pode preencher o critério laboratorial para diabetes. Também existem critérios baseados em HbA1c, teste oral de tolerância à glicose e glicemia aleatória em pessoas com sintomas.
Qual exame confirma diabetes?
O diagnóstico pode utilizar glicemia de jejum, hemoglobina glicada, teste oral de tolerância à glicose ou glicemia plasmática aleatória em situações específicas. A confirmação depende do resultado e do contexto clínico.
Diabetes tipo 2 tem cura?
O diabetes tipo 2 é uma doença crônica. Algumas pessoas podem alcançar níveis de glicose dentro da faixa considerada normal por períodos prolongados, inclusive com mudanças de hábitos e tratamento, mas isso não significa que devam interromper o acompanhamento ou os medicamentos sem orientação profissional.
Diabetes tipo 1 pode ser prevenido?
Atualmente, não existe uma estratégia comprovada capaz de prevenir o diabetes tipo 1 na população em geral.
Diabetes gestacional desaparece depois do parto?
A glicose pode voltar ao intervalo habitual depois da gravidez, mas quem teve diabetes gestacional apresenta maior risco de desenvolver diabetes tipo 2 posteriormente e deve manter acompanhamento adequado.
Quem tem diabetes pode praticar atividade física?
Sim. A atividade física pode fazer parte do cuidado do diabetes, mas o tipo e a intensidade devem considerar a condição individual, medicamentos utilizados e possíveis complicações.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Diabetes. Genebra: WHO, 2026.
- ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Diabetes: questions and answers. Genebra: WHO, 2026.
- NATIONAL INSTITUTE OF DIABETES AND DIGESTIVE AND KIDNEY DISEASES. Diabetes Tests & Diagnosis. Bethesda: NIDDK.
- NATIONAL INSTITUTE OF DIABETES AND DIGESTIVE AND KIDNEY DISEASES. The A1C Test & Diabetes. Bethesda: NIDDK.
- CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Preventing Type 2 Diabetes. Atlanta: CDC.
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