Observação clínica

Candidíase vaginal: sintomas, causas, prevenção e tratamento

relogio Atualizado em 1 de outubro de 2026
Beldo Celestino Saraiva
Revisão: Beldo Celestino Saraiva
Formação: Técnico de Enfermagem Geral

A candidíase vaginal é uma infecção provocada pela multiplicação excessiva de fungos do gênero Candida, principalmente da espécie Candida albicans. Entre os sintomas mais frequentes estão coceira intensa, irritação, vermelhidão na vulva, ardor e corrimento branco e espesso, geralmente sem cheiro forte.

A presença desse fungo na vagina nem sempre indica uma infecção. A Candida pode fazer parte da microbiota vaginal, ou seja, dos microrganismos que vivem naturalmente nessa região, sem causar qualquer desconforto. A candidíase se desenvolve quando ocorre uma proliferação excessiva do fungo acompanhada de sinais e sintomas característicos.

É importante lembrar que a coceira íntima, a irritação e as alterações no corrimento também podem estar relacionadas a outros problemas vaginais. Por isso, não é adequado considerar qualquer um desses sintomas como sinal de candidíase sem investigar a causa. Se os sintomas persistirem, voltarem com frequência ou apresentarem características diferentes das habituais, procure um profissional de saúde para uma avaliação.

O que é candidíase vaginal?

A candidíase vaginal, também conhecida como candidíase vulvovaginal, é uma infecção causada por fungos que afeta principalmente a vagina e a vulva, a parte externa da região genital feminina.

A espécie Candida albicans é a mais frequentemente responsável pela infecção, mas outros tipos de Candida também podem provocar candidíase.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a candidíase vulvovaginal está entre as formas comuns de candidíase. Alguns fatores podem favorecer a multiplicação excessiva desses fungos, incluindo alterações no ambiente natural do organismo, uso de antibióticos, mudanças hormonais e determinadas condições de saúde.

Candidíase vaginal: sintomas, causas, tratamento e prevenção

Quais são os sintomas da candidíase vaginal?

Os sinais da candidíase vaginal podem variar de uma pessoa para outra. Entre os sintomas mais comuns, estão:

Em geral, o corrimento causado pela candidíase não apresenta cheiro forte na parte íntima. No entanto, a aparência da secreção, por si só, não é suficiente para confirmar a infecção.

A coceira, o ardor e o corrimento vaginal também podem ocorrer em outras condições. Por isso, esses sintomas precisam ser avaliados em conjunto, pois nenhum deles, isoladamente, confirma o diagnóstico de candidíase.

O que causa candidíase vaginal?

A candidíase vaginal acontece quando há um crescimento excessivo de fungos do gênero Candida na região vaginal. Alguns fatores podem facilitar esse desequilíbrio e aumentar o risco de desenvolver a infecção.

Uso de antibióticos

Os antibióticos podem modificar o equilíbrio das bactérias que vivem naturalmente no organismo. Quando essa composição é alterada, o fungo Candida pode encontrar condições favoráveis para se multiplicar em excesso.

Alterações hormonais

As mudanças hormonais podem influenciar o risco de candidíase vaginal. Isso inclui as alterações que acontecem durante a gravidez. Alguns métodos contraceptivos hormonais também podem estar associados a uma maior probabilidade de desenvolver a infecção.

Diabetes não controlada

Quando os níveis de glicose no sangue permanecem elevados, o crescimento do fungo Candida pode ser favorecido. Por esse motivo, pessoas com diabetes mal controlada podem ter maior risco de desenvolver candidíase.

Sistema imunológico comprometido

Quando as defesas do organismo estão enfraquecidas, o corpo pode ter mais dificuldade para controlar o crescimento do fungo. Algumas doenças e o uso de determinados medicamentos imunossupressores podem aumentar o risco de candidíase e dificultar a resposta ao tratamento.

Ambiente quente e úmido

O uso frequente de roupas muito apertadas, de tecidos que dificultam a ventilação e a permanência prolongada com roupas molhadas ou suadas podem favorecer a irritação da região íntima e criar condições propícias a problemas relacionados a fungos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda manter a região íntima seca, evitar duchas vaginais e reduzir o uso de produtos perfumados ou que possam causar irritação.

Candidíase vaginal é uma IST?

Na maioria dos casos, não. A candidíase vaginal não é considerada uma infecção sexualmente transmissível (IST) típica. Ela pode aparecer mesmo em pessoas que não tiveram relações sexuais recentemente, pois o fungo Candida pode fazer parte da microbiota natural do organismo.

Isso não significa que a atividade sexual nunca esteja relacionada ao problema. Em algumas situações, a relação sexual pode contribuir para a irritação da região íntima ou para o aparecimento dos sintomas. O parceiro também pode apresentar manifestações ocasionais. No entanto, quando ele não tem sintomas, o tratamento de rotina não é recomendado.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa com a avaliação dos sintomas e dos sinais observados durante o exame clínico.

Quando há dúvidas sobre a causa, episódios recorrentes ou suspeita de uma infecção mais complexa, o profissional de saúde pode coletar uma amostra do conteúdo vaginal para análise laboratorial.

Em determinadas situações, a cultura para Candida, exame que permite identificar o fungo, é uma ferramenta importante para esclarecer o diagnóstico.

Essa investigação ajuda a diferenciar a candidíase de outras condições, como a vaginose bacteriana e a tricomoníase, que também podem provocar alterações no corrimento e desconforto vaginal.

Por isso, ter sintomas semelhantes aos de um episódio anterior não significa necessariamente que a causa seja a mesma. A avaliação adequada ajuda a identificar o problema e orientar o tratamento correto.

Como tratar a candidíase vaginal?

O tratamento é definido de acordo com a intensidade dos sintomas, o tipo de candidíase, a frequência dos episódios e as condições de saúde de cada pessoa.

Nos casos não complicados, podem ser utilizados medicamentos antifúngicos aplicados diretamente na vagina, como os derivados azólicos. O clotrimazol é um exemplo de medicamento tópico utilizado contra a candidíase vaginal.

O fluconazol por via oral também pode ser indicado em determinadas situações. Entretanto, seu uso exige atenção às contraindicações, às possíveis interações com outros medicamentos e a condições especiais, como a gravidez.

A escolha do medicamento deve levar em conta a avaliação clínica e as orientações de um profissional de saúde. Evite iniciar o tratamento por conta própria, especialmente quando os sintomas são recorrentes ou não melhoram.

Também é recomendável evitar duchas vaginais e produtos perfumados na região íntima, pois eles podem causar irritação e interferir no equilíbrio natural do ambiente vaginal.

Até o momento, não existem evidências suficientes para recomendar probióticos ou medicamentos homeopáticos como tratamento da candidíase vulvovaginal.

Candidíase vaginal na gravidez

A candidíase vaginal também pode ocorrer durante a gravidez. As alterações hormonais características desse período podem contribuir para o desenvolvimento da infecção.

Nessa fase, é necessário ter cuidado especial com a escolha dos medicamentos. De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), gestantes com candidíase vulvovaginal devem receber tratamento com antifúngicos azólicos de aplicação tópica durante 7 dias. O fluconazol por via oral não deve ser utilizado para tratar essa infecção durante a gravidez.

Se você está grávida ou suspeita de uma gravidez, converse com um profissional de saúde antes de usar qualquer medicamento contra a candidíase, mesmo que ele já tenha sido utilizado anteriormente.

É preciso tratar o parceiro?

Nos casos de candidíase vaginal não complicada, geralmente não é necessário tratar o parceiro sexual quando ele não apresenta sintomas.

Em alguns homens, o fungo Candida pode provocar uma inflamação na glande, chamada balanite por Candida. Essa condição pode causar vermelhidão, coceira e irritação na região genital.

Quando esses sinais aparecem, o parceiro deve procurar avaliação profissional para identificar a causa e receber a orientação adequada.

Candidíase vaginal recorrente

De acordo com o CDC, considera-se candidíase vaginal recorrente quando ocorrem pelo menos três episódios com sintomas ao longo de menos de 12 meses.

Alguns fatores podem estar associados à repetição dos episódios, como o uso frequente de antibióticos, o diabetes e alterações na resposta imunológica. Ainda assim, em muitas pessoas com candidíase recorrente, não é possível identificar um fator predisponente específico.

Quando os sintomas aparecem várias vezes, confirmar o diagnóstico se torna ainda mais importante. Algumas espécies de Candida, como Candida glabrata, também podem causar a infecção e apresentar uma resposta diferente aos tratamentos convencionais.

Como prevenir a candidíase vaginal?

Não existe uma maneira de impedir completamente que a candidíase vaginal volte a ocorrer. Porém, algumas medidas podem ajudar a diminuir a irritação da região íntima e reduzir fatores associados ao problema.

Prefira roupas íntimas confortáveis e evite ficar por períodos prolongados com roupas molhadas ou suadas. Também é recomendado não fazer duchas vaginais nem utilizar produtos perfumados na região íntima.

Antibióticos não devem ser usados sem indicação de um profissional de saúde, pois o uso inadequado pode estar associado ao surgimento da candidíase.

Quem tem diabetes também deve manter a doença sob controle adequado.

Dietas extremamente restritivas com o objetivo de “eliminar a Candida” não possuem comprovação suficiente como estratégia para tratar a candidíase vaginal.

Quando procurar atendimento?

É importante procurar avaliação profissional nas seguintes situações:

Coceira, ardor e corrimento persistentes ou recorrentes merecem atenção, porque esses sintomas também podem aparecer em outras condições e não significam necessariamente que a causa seja candidíase.

Conclusão

A candidíase vaginal é uma infecção fúngica que costuma ocorrer quando há uma proliferação excessiva de Candida na região vaginal. Coceira, irritação, vermelhidão e corrimento branco e espesso estão entre os sinais mais conhecidos. Ainda assim, esses sintomas, quando analisados isoladamente, não são suficientes para confirmar o diagnóstico.

O tratamento varia conforme o quadro clínico e precisa levar em consideração situações específicas, principalmente durante a gravidez, em casos recorrentes, no diabetes e quando existem alterações da imunidade.

Evitar duchas vaginais, produtos que possam irritar a região íntima e o uso desnecessário de antibióticos pode ajudar a reduzir fatores associados à candidíase.

Quando os sintomas persistem, voltam após o tratamento ou apresentam características diferentes das observadas anteriormente, procurar um profissional de saúde é a maneira mais segura de investigar a causa e definir o tratamento adequado.

Perguntas frequentes

Candidíase vaginal tem cheiro forte?

Geralmente, não. O corrimento relacionado à candidíase costuma ser branco e espesso, mas normalmente não apresenta odor forte. Quando existe um cheiro intenso, pode haver outra condição vaginal envolvida, sendo recomendada uma avaliação profissional.

Candidíase vaginal passa para o parceiro?

A candidíase vaginal não é considerada uma IST típica e, em geral, não é adquirida por meio da relação sexual. Quando o parceiro não apresenta sintomas, normalmente não há necessidade de tratamento.

Candidíase vaginal pode acontecer sem relação sexual?

Sim. O fungo Candida pode fazer parte naturalmente do organismo. Por isso, a candidíase vaginal pode surgir mesmo sem atividade sexual recente.

Candidíase vaginal na gravidez é perigosa?

A candidíase pode aparecer durante a gravidez e pode ser tratada. Porém, a gestante deve buscar orientação de um profissional de saúde antes de utilizar qualquer medicamento.

O CDC recomenda, durante a gravidez, o uso de tratamento tópico com azol durante 7 dias e não recomenda o uso de fluconazol oral para tratar a candidíase nesse período.

Quantas vezes por ano é considerada candidíase recorrente?

Segundo o CDC, a candidíase vulvovaginal é classificada como recorrente quando a pessoa apresenta três ou mais episódios sintomáticos em um período inferior a um ano.

Corrimento branco significa candidíase?

Não necessariamente. A aparência do corrimento vaginal pode sofrer alterações por diferentes motivos, e outras infecções ou condições também podem causar mudanças na secreção.

Por isso, o diagnóstico não deve ser baseado apenas na cor ou na aparência do corrimento. É necessário considerar os sintomas, o exame clínico e, quando indicado, os resultados de exames laboratoriais.


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