Observação clínica

Cólicas menstruais: por que acontecem e como aliviar a dor

relogio Atualizado em 1 de outubro de 2026
Beldo Celestino Saraiva
Revisão: Beldo Celestino Saraiva
Formado no curso: Técnico de enfermagem geral
Cólicas menstruais: por que acontecem e como aliviar a dor
Mulher com as cólicas menstruais

A cólica menstrual é uma dor que aparece na parte inferior da barriga antes ou durante a menstruação. Ela acontece quando o útero se contrai para eliminar o endométrio, tecido que reveste sua parte interna e se prepara todos os meses para uma possível gravidez. Quando a gestação não ocorre, esse tecido é eliminado durante a menstruação, e as contrações do útero podem causar dor.

As prostaglandinas também participam desse processo. Essas substâncias estimulam as contrações uterinas e, quando são produzidas em maior quantidade, podem deixar a cólica mais intensa. Geralmente, a dor começa pouco antes do sangramento ou nos primeiros dias da menstruação e dura entre um e três dias.

Sintomas que podem acompanhar a cólica menstrual

A dor na parte inferior do abdômen é o sinal mais conhecido, mas outros sintomas podem aparecer ao mesmo tempo. Entre eles estão:

A intensidade da cólica varia entre as pessoas e também pode mudar ao longo da vida. Uma mulher pode, por exemplo, apresentar dores leves durante a adolescência e passar a sentir cólicas mais intensas depois dos 20 anos.

Por que a cólica menstrual acontece

As cólicas menstruais podem ser divididas em dois tipos principais: dismenorreia primária e dismenorreia secundária. Essa diferença é importante porque, em alguns casos, a dor pode estar relacionada a uma condição ginecológica que precisa ser investigada.

Dismenorreia primária

A dismenorreia primária é a forma mais comum de cólica menstrual e não está associada a uma doença. Ela costuma começar alguns anos depois da primeira menstruação e está diretamente relacionada ao aumento da produção de prostaglandinas.

Com o passar do tempo, a dor pode melhorar. Em algumas mulheres, também pode haver melhora depois de uma gravidez.

Dismenorreia secundária

Na dismenorreia secundária, existe uma causa associada à dor, geralmente relacionada a alguma alteração ou condição do aparelho reprodutor. Entre as possíveis causas estão:

Nesse tipo de cólica, a dor tende a ser mais intensa, durar por mais dias e ficar progressivamente pior ao longo do tempo, em vez de apresentar melhora.

Quem tem maior chance de apresentar cólicas fortes

Algumas situações estão associadas a uma maior probabilidade de apresentar cólicas intensas. Entre elas estão:

Conhecer esses fatores pode ajudar a perceber mudanças no padrão da dor e conversar com um ginecologista sobre maneiras de controlá-la antes que fique mais intensa.

Como aliviar a cólica menstrual naturalmente

Nem sempre é possível impedir completamente a cólica, mas algumas medidas simples podem ajudar a diminuir sua intensidade.

Aplicar calor na região abdominal é uma das medidas mais utilizadas. Uma bolsa térmica ou compressa morna pode ajudar a relaxar a musculatura do útero e, em muitos casos, a dor começa a diminuir em poucos minutos.

A massagem na parte inferior da barriga, feita com movimentos circulares, também pode ajudar a relaxar a musculatura e proporcionar alívio.

Manter uma boa ingestão de água durante o dia ajuda a evitar a retenção de líquidos, que pode contribuir para o inchaço comum nesse período.

Chás de camomila e erva-doce são tradicionalmente utilizados com a finalidade de promover relaxamento. O consumo deve ser moderado e, quando houver dúvida sobre possíveis interações com medicamentos, é recomendado conversar com um profissional de saúde.

Manter o corpo em movimento também pode ajudar. Caminhadas leves, alongamentos ou uma sessão de yoga estimulam a circulação e favorecem a liberação de endorfina, o que pode diminuir a percepção da dor.

Na alimentação, incluir peixes, castanhas, sementes, vegetais verde-escuros e frutas frescas fornece nutrientes como magnésio, cálcio e ômega-3, que estão associados à redução de processos inflamatórios no organismo.

Remédios usados para cólica menstrual

Quando a cólica interfere nas atividades do dia a dia, pode ser necessário utilizar medicamentos. A escolha e o uso devem ser orientados por um profissional de saúde.

Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): esses medicamentos atuam bloqueando a produção de prostaglandinas, reduzindo a intensidade das contrações do útero. Entre os mais conhecidos estão ibuprofeno, naproxeno, ácido mefenâmico e diclofenaco.

Analgésicos: podem ser utilizados para dores leves a moderadas. Paracetamol e dipirona são exemplos desse grupo.

Antiespasmódicos: o Buscopan é um dos exemplos mais conhecidos. Sua ação relaxa a musculatura e ajuda a diminuir a contração responsável pela dor.

Esses medicamentos não devem ser utilizados continuamente por conta própria. Quando a cólica aparece todos os meses e exige o uso frequente de remédios, é importante investigar a causa com um ginecologista.

Hábitos que podem ajudar a prevenir cólicas fortes

Uma rotina que inclua exercícios físicos, sono adequado, evitar o cigarro e controle do estresse pode ajudar o organismo a regular melhor os hormônios e diminuir a possibilidade de cólicas muito intensas.

Registrar o ciclo menstrual também pode ser útil. Anotar a data de início da menstruação, quantos dias a dor permanece e se houve alguma mudança de um mês para outro facilita a identificação de padrões diferentes do habitual. Essas informações também podem ajudar o médico durante a avaliação.

Quando a cólica menstrual é motivo de preocupação

A cólica menstrual pode fazer parte do ciclo normal, mas alguns sinais precisam de avaliação médica. Procure atendimento quando houver:

Na presença desses sinais, o ideal é procurar um ginecologista. A avaliação profissional é necessária para investigar a causa da dor e definir o tratamento mais adequado, que pode envolver medicamentos, mudanças de hábitos ou acompanhamento específico. Leia também: atraso menstrual.

A cólica menstrual é comum e, na maioria das situações, está relacionada às contrações naturais do útero durante a menstruação. O que merece atenção é uma mudança no padrão habitual, principalmente quando a dor se torna mais intensa, permanece por mais tempo ou aparece acompanhada de outros sintomas. Nesses casos, a avaliação médica ajuda a esclarecer a causa.

Perguntas frequentes

É normal ter cólica todo mês?

Sim. A cólica pode aparecer na maioria dos ciclos e está relacionada às contrações naturais do útero durante a eliminação do endométrio. Porém, dor que impede as atividades do dia ou fica progressivamente mais intensa a cada mês merece avaliação.

Quantos dias a cólica menstrual costuma durar?

Na maioria dos casos, a cólica dura entre um e três dias. Ela pode começar pouco antes da menstruação ou logo no início do sangramento. Quando a dor permanece por um período muito maior, é importante conversar com um ginecologista.

Aplicar calor realmente ajuda na cólica?

Sim. Uma bolsa térmica ou compressa morna pode relaxar a musculatura do útero e ajudar a aliviar a dor em poucos minutos. É uma das medidas naturais mais utilizadas para reduzir o desconforto.

Buscopan é indicado para cólica menstrual?

O Buscopan é bastante utilizado porque atua relaxando a musculatura e reduzindo as contrações relacionadas à dor. Mesmo assim, seu uso deve ser orientado por um profissional de saúde, especialmente quando as cólicas são frequentes.

Cólica menstrual muito forte pode ser endometriose?

Pode. A dor intensa pode estar entre os sinais de endometriose, principalmente quando piora com o tempo ou também aparece fora do período menstrual. No entanto, somente a cólica forte não confirma a doença. O diagnóstico depende de avaliação médica.


ESTA INFORMAÇÃO FOI ÚTIL PARA VOCÊ?


COMPARTILHE
whatsapp
pinterest

BIBLIOGRÁFICAS


COMENTÁRIOS


Compartilhe sua experiência ou dúvidas, os comentários são moderados, leia as nossas políticas de comentários.

Carregando comentários...

Mensagens em destaque