Grávida pode comer atum? Quantidade segura e riscos explicados
Formado no curso: Técnico de enfermagem geral
Sim, a grávida pode comer atum, mas a resposta certa depende do tipo de atum. O atum enlatado pode fazer parte da alimentação sem restrições especiais, enquanto o atum fresco ou congelado deve ser evitado durante a gravidez.
O atum é uma boa fonte de proteína, ómega-3 e vitamina D, nutrientes importantes para o desenvolvimento do bebé. O problema não é o peixe em si, mas o facto de o atum acumular mais metilmercúrio do que a maioria dos peixes comuns na dieta portuguesa, como a sardinha, o carapau ou a pescada. Percebe-se a seguir porque é que isto acontece e como comer atum sem preocupações.
Recomendações da Direção-Geral da Saúde (DGS) para a população portuguesa. É esta distinção e não apenas "quantidade" que faz a diferença entre comer atum com segurança ou expor o bebé a um risco desnecessário. Direção Geral da Saúde
Grávida pode comer atum em lata (conserva)?
Sim. Segundo as recomendações da ASAE e da DGS para grupos de risco, o atum em lata está entre os peixes que a grávida pode comer sem uma restrição especial de frequência, ao contrário do atum fresco ou congelado.
Isto acontece porque o atum usado nas conservas é normalmente de espécies e exemplares mais pequenos (como o gaiado/skipjack), com menor acumulação de mercúrio. Leia também: alimentação saudável na gravidez.
Ainda assim, bom senso e variedade continuam a ser as regras de ouro:
- Inclua o atum em lata dentro do total recomendado de 2 a 3 porções de peixe por semana (cerca de 233 a 350 g), que a DGS recomenda para a população em geral, incluindo grávidas.
- Prefira latas conservadas em água ou azeite em vez de óleos vegetais genéricos, para um perfil nutricional mais equilibrado.
- Varie com outros peixes de baixo teor de mercúrio, como sardinha, carapau, pescada, salmão ou dourada.
- Verifique sempre o prazo de validade e o estado da lata (sem amolgadelas ou sinais de inchaço).
Grávida pode comer atum fresco?
Aqui está a diferença mais importante em relação ao que costuma circular na internet: em Portugal, o atum fresco ou congelado consta na lista de peixes que grávidas devem evitar, juntamente com espécies como cação, espadarte, tintureira, maruca e peixe-espada.
A razão é o elevado teor de mercúrio destas espécies, associado ao facto de serem peixes predadores, de grande porte e de vida longa, características que favorecem a acumulação de metilmercúrio nos tecidos. Leia também: ferro na gravidez: quando suplementar e como escolher.
Isto é diferente da orientação norte-americana (FDA/EPA), muitas vezes citada em artigos traduzidos do inglês ou do português do Brasil, que permite uma porção semanal de atum branco/albacora fresco. Para o público em Portugal, vale a recomendação nacional.
Porque é que Portugal é mais rigoroso com o atum fresco do que os EUA
A avaliação de risco de cada país depende dos hábitos de consumo da sua população. Estudos com base no inquérito nacional (IAN-AF) e em análises de mercúrio em amostras de pescado levaram a DGS e o INSA a definir recomendações próprias para a realidade portuguesa, que nem sempre coincidem ponto por ponto com as diretrizes da FDA/EPA nos EUA. Por isso, se pesquisar em fontes internacionais, é normal encontrar recomendações ligeiramente diferentes, mas em Portugal, a orientação a seguir é a nacional.
Grávida pode comer sushi ou tártaro de atum?
Não é recomendado. O atum usado em sushi, sashimi ou tártaro é, por definição, atum fresco não cozinhado, que junta dois riscos:
- O teor de mercúrio mais elevado do atum fresco, já referido acima.
- O risco de contaminação por bactérias e parasitas associado ao consumo de peixe crú ou mal cozinhado, num período em que o sistema imunitário da grávida está naturalmente mais sensível.
A recomendação prática é simples: durante a gravidez, opte por atum bem cozinhado ou por atum em lata, e deixe o sushi de atum para depois do parto.
Porque é que o mercúrio no atum preocupa na gravidez
O mercúrio existe naturalmente no ambiente, mas também é libertado por atividade industrial e acaba por se acumular nos oceanos. Os peixes absorvem-no através da água e da cadeia alimentar e, como o atum está no topo dessa cadeia, tende a concentrar mais mercúrio nos seus tecidos do que peixes mais pequenos, como a sardinha ou o carapau.
Como o mercúrio pode afetar o bebé
O metilmercúrio consumido pela grávida atravessa a placenta e chega à corrente sanguínea do feto. Em exposição elevada e continuada, este metal pode interferir no desenvolvimento do sistema nervoso central, com possíveis repercussões na atenção, memória, linguagem e coordenação motora da criança.
O risco está associado à exposição cumulativa e excessiva, e não a um episódio isolado de consumo é por isso que as recomendações falam em frequência semanal, e não numa proibição total do peixe. Leia também: como promover gravidez saudável .
Nem todo o atum tem o mesmo teor de mercúrio
"Atum" não é uma única espécie, mas várias gaiado (skipjack), albacora, patudo (bigeye) e rabilho (atum-do-Atlântico), entre outras com níveis de mercúrio diferentes entre si. É esta variação, mais do que a quantidade em si, que explica porque é que o atum em lata (feito sobretudo com gaiado) é tratado de forma diferente do atum fresco vendido em peixarias ou usado em restaurantes de sushi.
Quantidade segura de atum e peixe na gravidez, segundo a DGS
A DGS recomenda que a população em geral, incluindo grávidas, consuma 2 a 3 porções de pescado por semana (cerca de 233 a 350 g), privilegiando espécies com baixo teor de metilmercúrio e variando as espécies consumidas ao longo da semana. Esta recomendação inclui o atum em lata, que não está sujeito a uma restrição extra além deste total.
Tabela: atum e outros peixes na gravidez
| Tipo de peixe | Categoria em Portugal | Pode comer? |
|---|---|---|
| Atum em lata (conserva) | Sem restrição especial | Sim, dentro das 2–3 porções de peixe/semana |
| Sardinha, carapau, pescada, dourada, salmão | Baixo teor de mercúrio | Sim, à vontade dentro da rotação semanal |
| Atum fresco ou congelado | Elevado teor de mercúrio | Não recomendado |
| Atum em sushi/sashimi/tártaro | Elevado teor de mercúrio + risco de peixe crú | Não recomendado |
| Espadarte, cação, tintureira, maruca | Elevado teor de mercúrio | Não recomendado |
Fontes de referência: Direção-Geral da Saúde (DGS), Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) e Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE). Consulte sempre o seu médico ou nutricionista para orientação individual.
Benefícios do atum durante a gravidez
Consumido dentro das recomendações, o atum (especialmente o de lata) contribui de forma positiva para a alimentação da grávida:
- Proteína de alto valor biológico, importante para a formação de tecidos do bebé e para as adaptações do corpo da mãe durante a gravidez.
- Ómega-3 (DHA e EPA), ácidos gordos associados ao desenvolvimento cerebral e visual do feto.
- Vitamina D e selénio, que participam na imunidade e no metabolismo ósseo.
- Baixo teor de gordura saturada, em comparação com outras fontes de proteína animal, sobretudo quando conservado em água.
Como comer atum com segurança: dicas práticas
- Escolha atum em lata como primeira opção durante a gravidez, em vez de atum fresco.
- Prefira conservas em água, com menos sódio e gordura do que as conservas em óleo genérico.
- Evite atum fresco, congelado, cru ou em sushi/sashimi durante toda a gestação.
- Inclua o atum dentro do total recomendado de 2 a 3 porções de peixe por semana, variando com sardinha, carapau, pescada, dourada ou salmão.
- Verifique sempre o prazo de validade e o estado da lata antes de consumir.
- Em caso de dúvida sobre a alimentação na gravidez, fale com o obstetra ou nutricionista que acompanha o pré-natal.
Perguntas frequentes
Grávida pode comer atum todos os dias?
Não é o ideal. Mesmo o atum em lata deve ser incluído dentro do total recomendado de 2 a 3 porções de peixe por semana, e não consumido isoladamente todos os dias.
Qual é mais seguro: atum em lata ou atum fresco?
O atum em lata. Em Portugal, o atum fresco ou congelado está na lista de peixes a evitar na gravidez, enquanto o atum em lata não tem essa restrição, desde que consumido dentro do total semanal de peixe recomendado.
Atum enlatado faz mal ao bebé?
Dentro das quantidades recomendadas, não. O risco existe principalmente com o atum fresco ou com um consumo excessivo e continuado de peixes com elevado teor de mercúrio, não com o atum em lata consumido com moderação.
Grávida pode comer sushi de atum?
Não é recomendado. Junta o risco do mercúrio do atum fresco ao risco de contaminação associado ao peixe cru, num período em que o sistema imunitário está mais sensível.
Quantas latas de atum pode comer uma grávida por semana?
Não existe um número fixo só para o atum em lata; o que conta é o total semanal de peixe (2 a 3 porções, cerca de 233 a 350 g), dentro do qual o atum em lata pode entrar sem restrição extra.
Conclusão
O atum pode fazer parte da alimentação da grávida em Portugal, desde que seja atum em lata e não atum fresco, congelado ou cru. A regra prática mais importante não é tanto "quanto atum", mas sim "que tipo de atum": prefira sempre a conserva, evite por completo o atum fresco e o sushi, e mantenha o consumo total de peixe dentro das 2 a 3 porções semanais recomendadas pela DGS. Em caso de dúvida específica sobre a sua dieta, o acompanhamento com o obstetra ou nutricionista continua a ser a orientação mais segura.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- Direção-Geral da Saúde (DGS): Manual de nutrição
- FDA – Advice about Eating: Advice about Eating Fish
- FDA – Advice about Eating: Perguntas e Respostas
- Organização mundial da saúde: Mercury and Health
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