Observação clínica

Grávida pode comer atum? Quantidade segura e riscos explicados

relogio Publicado 10 de setembro de 2026
Beldo Celestino Saraiva
Revisão: Beldo Celestino Saraiva
Formado no curso: Técnico de enfermagem geral
Grávida pode comer atum? veja a quantidade segura e os riscos
Uma mulher grávida na mesa: com atum ao lado e frutas

Sim, a grávida pode comer atum, mas a resposta certa depende do tipo de atum. O atum enlatado pode fazer parte da alimentação sem restrições especiais, enquanto o atum fresco ou congelado deve ser evitado durante a gravidez.

O atum é uma boa fonte de proteína, ómega-3 e vitamina D, nutrientes importantes para o desenvolvimento do bebé. O problema não é o peixe em si, mas o facto de o atum acumular mais metilmercúrio do que a maioria dos peixes comuns na dieta portuguesa, como a sardinha, o carapau ou a pescada. Percebe-se a seguir porque é que isto acontece e como comer atum sem preocupações.

Recomendações da Direção-Geral da Saúde (DGS) para a população portuguesa. É esta distinção e não apenas "quantidade" que faz a diferença entre comer atum com segurança ou expor o bebé a um risco desnecessário. Direção Geral da Saúde

Grávida pode comer atum em lata (conserva)?

Sim. Segundo as recomendações da ASAE e da DGS para grupos de risco, o atum em lata está entre os peixes que a grávida pode comer sem uma restrição especial de frequência, ao contrário do atum fresco ou congelado.

Isto acontece porque o atum usado nas conservas é normalmente de espécies e exemplares mais pequenos (como o gaiado/skipjack), com menor acumulação de mercúrio. Leia também: alimentação saudável na gravidez.

Ainda assim, bom senso e variedade continuam a ser as regras de ouro:

Grávida pode comer atum fresco?

Aqui está a diferença mais importante em relação ao que costuma circular na internet: em Portugal, o atum fresco ou congelado consta na lista de peixes que grávidas devem evitar, juntamente com espécies como cação, espadarte, tintureira, maruca e peixe-espada.

A razão é o elevado teor de mercúrio destas espécies, associado ao facto de serem peixes predadores, de grande porte e de vida longa, características que favorecem a acumulação de metilmercúrio nos tecidos. Leia também: ferro na gravidez: quando suplementar e como escolher.

Isto é diferente da orientação norte-americana (FDA/EPA), muitas vezes citada em artigos traduzidos do inglês ou do português do Brasil, que permite uma porção semanal de atum branco/albacora fresco. Para o público em Portugal, vale a recomendação nacional.

Porque é que Portugal é mais rigoroso com o atum fresco do que os EUA

A avaliação de risco de cada país depende dos hábitos de consumo da sua população. Estudos com base no inquérito nacional (IAN-AF) e em análises de mercúrio em amostras de pescado levaram a DGS e o INSA a definir recomendações próprias para a realidade portuguesa, que nem sempre coincidem ponto por ponto com as diretrizes da FDA/EPA nos EUA. Por isso, se pesquisar em fontes internacionais, é normal encontrar recomendações ligeiramente diferentes, mas em Portugal, a orientação a seguir é a nacional.

Grávida pode comer sushi ou tártaro de atum?

Não é recomendado. O atum usado em sushi, sashimi ou tártaro é, por definição, atum fresco não cozinhado, que junta dois riscos:

A recomendação prática é simples: durante a gravidez, opte por atum bem cozinhado ou por atum em lata, e deixe o sushi de atum para depois do parto.

Porque é que o mercúrio no atum preocupa na gravidez

O mercúrio existe naturalmente no ambiente, mas também é libertado por atividade industrial e acaba por se acumular nos oceanos. Os peixes absorvem-no através da água e da cadeia alimentar e, como o atum está no topo dessa cadeia, tende a concentrar mais mercúrio nos seus tecidos do que peixes mais pequenos, como a sardinha ou o carapau.

Como o mercúrio pode afetar o bebé

O metilmercúrio consumido pela grávida atravessa a placenta e chega à corrente sanguínea do feto. Em exposição elevada e continuada, este metal pode interferir no desenvolvimento do sistema nervoso central, com possíveis repercussões na atenção, memória, linguagem e coordenação motora da criança.

O risco está associado à exposição cumulativa e excessiva, e não a um episódio isolado de consumo é por isso que as recomendações falam em frequência semanal, e não numa proibição total do peixe. Leia também: como promover gravidez saudável .

Nem todo o atum tem o mesmo teor de mercúrio

"Atum" não é uma única espécie, mas várias gaiado (skipjack), albacora, patudo (bigeye) e rabilho (atum-do-Atlântico), entre outras com níveis de mercúrio diferentes entre si. É esta variação, mais do que a quantidade em si, que explica porque é que o atum em lata (feito sobretudo com gaiado) é tratado de forma diferente do atum fresco vendido em peixarias ou usado em restaurantes de sushi.

Quantidade segura de atum e peixe na gravidez, segundo a DGS

A DGS recomenda que a população em geral, incluindo grávidas, consuma 2 a 3 porções de pescado por semana (cerca de 233 a 350 g), privilegiando espécies com baixo teor de metilmercúrio e variando as espécies consumidas ao longo da semana. Esta recomendação inclui o atum em lata, que não está sujeito a uma restrição extra além deste total.

Tabela: atum e outros peixes na gravidez

Tipo de peixe Categoria em Portugal Pode comer?
Atum em lata (conserva) Sem restrição especial Sim, dentro das 2–3 porções de peixe/semana
Sardinha, carapau, pescada, dourada, salmão Baixo teor de mercúrio Sim, à vontade dentro da rotação semanal
Atum fresco ou congelado Elevado teor de mercúrio Não recomendado
Atum em sushi/sashimi/tártaro Elevado teor de mercúrio + risco de peixe crú Não recomendado
Espadarte, cação, tintureira, maruca Elevado teor de mercúrio Não recomendado

Fontes de referência: Direção-Geral da Saúde (DGS), Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) e Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE). Consulte sempre o seu médico ou nutricionista para orientação individual.

Benefícios do atum durante a gravidez

Consumido dentro das recomendações, o atum (especialmente o de lata) contribui de forma positiva para a alimentação da grávida:

Como comer atum com segurança: dicas práticas

Perguntas frequentes

Grávida pode comer atum todos os dias?

Não é o ideal. Mesmo o atum em lata deve ser incluído dentro do total recomendado de 2 a 3 porções de peixe por semana, e não consumido isoladamente todos os dias.

Qual é mais seguro: atum em lata ou atum fresco?

O atum em lata. Em Portugal, o atum fresco ou congelado está na lista de peixes a evitar na gravidez, enquanto o atum em lata não tem essa restrição, desde que consumido dentro do total semanal de peixe recomendado.

Atum enlatado faz mal ao bebé?

Dentro das quantidades recomendadas, não. O risco existe principalmente com o atum fresco ou com um consumo excessivo e continuado de peixes com elevado teor de mercúrio, não com o atum em lata consumido com moderação.

Grávida pode comer sushi de atum?

Não é recomendado. Junta o risco do mercúrio do atum fresco ao risco de contaminação associado ao peixe cru, num período em que o sistema imunitário está mais sensível.

Quantas latas de atum pode comer uma grávida por semana?

Não existe um número fixo só para o atum em lata; o que conta é o total semanal de peixe (2 a 3 porções, cerca de 233 a 350 g), dentro do qual o atum em lata pode entrar sem restrição extra.

Conclusão

O atum pode fazer parte da alimentação da grávida em Portugal, desde que seja atum em lata e não atum fresco, congelado ou cru. A regra prática mais importante não é tanto "quanto atum", mas sim "que tipo de atum": prefira sempre a conserva, evite por completo o atum fresco e o sushi, e mantenha o consumo total de peixe dentro das 2 a 3 porções semanais recomendadas pela DGS. Em caso de dúvida específica sobre a sua dieta, o acompanhamento com o obstetra ou nutricionista continua a ser a orientação mais segura.


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