Observação clínica

Malária: sinais e sintomas, causas, prevenção e o tratamento da malária

relogio Atualizado 7 de setembro de 2026
Beldo Celestino Saraiva
Revisão:Beldo Celestino Saraiva
Formado no curso: Técnico de enfermagem geral
Malária: sinais e sintomas, causas, prevenção e o tratamento da malária

A malária é uma doença infecciosa grave causada por parasitas do gênero Plasmodium, transmitidos pela picada da fêmea infectada do mosquito Anopheles. É uma das doenças tropicais mais conhecidas do mundo e continua sendo um grave problema de saúde pública, especialmente na África Subsaariana.

Em resumo: a malária provoca febre alta, calafrios e dores no corpo, é transmitida por mosquitos (não de pessoa para pessoa) e tem tratamento eficaz quando diagnosticada a tempo mas pode ser fatal se não tratada, principalmente quando causada pelo Plasmodium falciparum.

O que é a malária e o que a causa

O agente causador da malária é um protozoário unicelular do gênero Plasmodium. Das cerca de 120 espécies conhecidas, apenas 5 infectam seres humanos:

Como a malária é transmitida

A principal via de transmissão é a picada da fêmea do mosquito Anopheles infectada. Outras formas, bem mais raras, incluem:

Importante: a malária não é transmitida por contato direto entre pessoas, nem por alimentos, água ou objetos compartilhados.

Período de incubação

Os sintomas costumam surgir entre 7 e 30 dias após a picada, variando conforme a espécie de Plasmodium envolvida.

Sintomas da malária

Os sintomas mais comuns da malária são:

Sinais de alerta de malária grave

Procure atendimento médico imediatamente se houver: confusão mental, convulsões, dificuldade para respirar, urina escura, sangramentos, icterícia (pele/olhos amarelados) ou perda de consciência. Sem tratamento, a malária pode evoluir para malária cerebral, insuficiência renal, coma e morte sobretudo nas infecções por P. falciparum.

Como é feito o diagnóstico da malária

Exame microscópico e testes rápidos (TDR)

Exames complementares

Não confirmam a malária, mas ajudam a avaliar a gravidade:

Exame O que avalia
Hemograma Anemia, plaquetopenia, leucopenia
Função hepática Transaminases e bilirrubinas elevadas
Função renal Ureia e creatinina elevadas
Glicemia Risco de hipoglicemia
Gasometria Acidose metabólica
PCR Detecta DNA do parasita mesmo em baixa parasitemia (uso em pesquisa/referência)
Sorologia Útil em estudos epidemiológicos, pouco útil na fase aguda

Diagnóstico diferencial

A malária pode ser confundida com:

Ciclo de vida do Plasmodium e fisiopatologia

O ciclo do Plasmodium tem duas fases:

  1. Esquizogonia exo-eritrocitária (ou pré-eritrocitária): multiplicação no fígado, dentro dos hepatócitos;
  2. Esquizogonia eritrocitária: desenvolvimento do parasita dentro das hemácias.

Durante a infecção por P. falciparum, as hemácias sofrem alterações que explicam a gravidade da doença:

  1. Surgem protuberâncias na superfície da hemácia, expondo uma proteína aderente;
  2. Essa proteína faz a hemácia grudar no endotélio de capilares e vênulas (citoaderência);
  3. Isso bloqueia pequenos vasos, causando isquemia e falta de oxigênio nos tecidos;
  4. Hemácias infectadas também aderem a hemácias saudáveis, formando "rosetas" e agregados;
  5. O resultado é o sequestro de hemácias em órgãos como cérebro, rins, fígado, pulmões e intestino — o mecanismo por trás das complicações graves da malária.

Classificação: malária não complicada x complicada

Complicações da malária

Tratamento da malária

No Brasil, o tratamento da malária segue o Guia de tratamento da malária no Brasil, do Ministério da Saúde, e varia de acordo com a espécie de Plasmodium, a gravidade do quadro e características do paciente (gestantes, crianças, peso corporal).

Malária não complicada por P. vivax ou P. ovale

O objetivo é eliminar tanto a forma sanguínea quanto a forma hepática do parasita (cura radical), prevenindo recaídas. O esquema padrão é:

Uma alternativa mais recente é a tafenoquina em dose única, associada à cloroquina por 3 dias esquema mais simples, mas que exige teste prévio da enzima G6PD e não pode ser usado por gestantes, menores de 16 anos ou pessoas com baixa atividade de G6PD.

Malária não complicada por P. malariae

Tratamento com cloroquina por 3 dias, sem necessidade de primaquina.

Malária não complicada por P. falciparum

Tratamento com uma combinação de derivados de artemisinina (ACT) por 3 dias Arteméter + Lumefantrina ou Artesunato + Mefloquina associada a uma dose única de primaquina para eliminar os gametócitos e reduzir a transmissão.

Gestantes, puérperas até 1 mês de amamentação e crianças menores de 6 meses não recebem primaquina fazem apenas o ACT.

Malária mista (P. falciparum + P. vivax ou P. ovale)

Tratamento com ACT (Arteméter + Lumefantrina ou Artesunato + Mefloquina) por 3 dias, associado a primaquina por 7 dias para tratar também a forma hepática do P. vivax/P. ovale.

Cuidados especiais

As doses exatas (mg/kg e número de comprimidos por faixa de peso) devem seguir sempre as tabelas oficiais do Guia de tratamento da malária no Brasil, do Ministério da Saúde, e a prescrição deve ser feita por profissional de saúde.

Malária grave/complicada

Independentemente da espécie, a malária grave é tratada com Artesunato injetável, o medicamento de primeira escolha tanto para adultos quanto para crianças — inclusive crianças com menos de 5 kg, com dose calculada especificamente por peso. É uma emergência médica: o tratamento deve começar imediatamente, sem esperar confirmação laboratorial, e o cálculo da dose deve ser feito por profissional de saúde com apoio de calculadoras de referência validadas.

Como prevenir a malária

Malária no mundo e em África: dados epidemiológicos

A malária é a doença parasitária mais difundida no mundo, concentrada em regiões tropicais e subtropicais. Segundo o Relatório Mundial sobre Malária 2025, da OMS, houve cerca de 282 milhões de casos e 610 mil mortes por malária em 2024 no mundo todo.

A Região Africana da OMS respondeu por 94% dos casos (265 milhões) e 95% das mortes (579 mil), com crianças menores de 5 anos e gestantes entre os grupos mais vulneráveis. Desde o ano 2000, estima-se que mais de 2,2 bilhões de casos e 12,7 milhões de mortes por malária foram evitados graças a avanços em prevenção, diagnóstico e tratamento.

A importância da saúde pública no combate à malária

O combate à malária depende da integração entre governos, profissionais de saúde e comunidades. Vigilância epidemiológica, diagnóstico precoce, distribuição de mosquiteiros, campanhas educativas e acesso ao tratamento são medidas essenciais para reduzir a incidência da doença. Educar a população sobre sintomas e prevenção permite identificar e tratar os casos mais rapidamente, reduzindo complicações e mortes.

Perguntas frequentes

A malária tem cura?

Sim. Quando diagnosticada e tratada a tempo com os medicamentos antimaláricos adequados, a malária tem cura na grande maioria dos casos.

A malária pega de pessoa para pessoa?

Não. A transmissão ocorre pela picada do mosquito Anopheles infectado. Contato direto, alimentos, água ou objetos compartilhados não transmitem a doença.

Quanto tempo depois da picada os sintomas de malária aparecem?

Geralmente entre 7 e 30 dias após a picada, dependendo da espécie de Plasmodium.

Qual é a espécie de malária mais perigosa?

O Plasmodium falciparum, predominante na África, é o mais associado a formas graves e à maior parte das mortes por malária.


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BIBLIOGRÁFICAS

  • Organização Mundial de Saúde, (2020): Como se prevenir da malária. 6ª edição. Genebra: OMS. https://www.who.int/malaria
  • Santos, Luiz F., Oliveira, Maria C, (2020): Como se prevenir da malaria, 6ª edição. São Paulo: Editora Saúde Global.
  • Ministério de Saúde, Manual de Formação para o Manejo de Casos de Malária, Programa Nacional de Controlo da Malária, 2009
  • Auto, Hélvio José de Farias e Colaboradores, Doenças Infecciosas e Parasitárias, editora Revinter, 2002

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