O que é diabetes: as causas, sinais e sintomas que você não deve ignorar
Formado no curso: Técnico de enfermagem geral
A diabetes é uma doença crônica que afeta a capacidade do corpo de controlar os níveis de glicose (açúcar) no sangue. Ela ocorre quando o pâncreas não produz insulina suficiente ou quando as células do corpo não conseguem usar essa insulina de forma eficaz.
A insulina é o hormônio produzido pelo pâncreas responsável por permitir que a glicose saia do sangue e entre nas células, onde é usada como fonte de energia. Quando esse processo falha, o açúcar se acumula no sangue condição chamada de hiperglicemia.
Se não for controlada, a diabetes pode causar complicações sérias, como doenças cardíacas, problemas renais, danos nos nervos (neuropatia) e perda de visão.
A forma como a diabetes surge varia conforme o tipo da doença:
- Na diabetes tipo 1, o sistema imunológico ataca por engano as células do pâncreas que produzem insulina.
- Na diabetes tipo 2, o corpo ainda produz insulina, mas as células perdem a capacidade de respondê-la de forma eficiente fenômeno chamado de resistência à insulina.
- Na diabetes gestacional, as alterações hormonais da gravidez dificultam a ação da insulina.
Tipos de diabetes mellitus
Diabetes tipo 1
É uma doença autoimune: o próprio sistema de defesa do corpo ataca e destrói as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina. Sem insulina, a glicose não consegue entrar nas células e se acumula no sangue.
Costuma surgir na infância, adolescência ou início da vida adulta, embora possa aparecer em qualquer idade. Quem tem diabetes tipo 1 precisa usar insulina diariamente (por injeção ou bomba de insulina) e monitorar a glicemia com frequência. Alimentação equilibrada e atividade física ajudam no controle, mas não substituem a insulina.
Diabetes tipo 2
É o tipo mais comum, representando a maioria dos casos. O corpo ainda produz insulina, mas não consegue utilizá-la corretamente a resistência à insulina. Com o tempo, o pâncreas se esgota tentando compensar, e o açúcar volta a se acumular no sangue.
Está fortemente associada ao estilo de vida, principalmente:
- Alimentação rica em açúcar e gordura em excesso
- Sedentarismo
- Excesso de peso ou obesidade
- Estresse e sono irregular
Costuma surgir em adultos acima dos 40 anos, mas tem aparecido cada vez mais em jovens e adolescentes. O tratamento envolve mudança de hábitos, medicação oral e, em alguns casos, insulina. Um ponto importante: a diabetes tipo 2 pode ser prevenida com hábitos saudáveis.
Diabetes gestacional
Surge durante a gravidez, quando os hormônios da gestação dificultam a ação da insulina no organismo da mãe, elevando os níveis de glicose no sangue.
Segundo a American Diabetes Association, na maioria dos casos a diabetes gestacional desaparece após o parto. Ainda assim, a mulher deve manter acompanhamento médico, já que o risco de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro aumenta. American Diabetes Association
Principais causas e fatores de risco
Embora a predisposição genética tenha papel importante, o estilo de vida é determinante especialmente na diabetes tipo 2. Uma alimentação rica em alimentos ultraprocessados, bebidas açucaradas e gorduras saturadas favorece o ganho de peso e a resistência à insulina.
A falta de atividade física reduz a capacidade do corpo de usar a glicose de forma eficiente, e o excesso de gordura abdominal está fortemente associado ao desenvolvimento da doença. Outros fatores que aumentam o risco incluem:
- Hipertensão arterial, histórico familiar de diabetes,
- Idade acima de 45 anos, colesterol elevado
- Síndrome dos ovários policísticos
Como prevenir a diabetes
- Alimentação balanceada: priorize vegetais, frutas e grãos integrais, ricos em fibras, que ajudam a evitar picos de glicose no sangue.
- Reduza açúcares e ultraprocessados: evite refrigerantes, doces e carboidratos refinados, como pão branco.
- Exercício físico regular: pelo menos 150 minutos de atividade moderada por semana (caminhada rápida, natação, ciclismo) ajudam o corpo a usar a insulina com mais eficiência.
- Controle de peso: perder de 5% a 10% do peso corporal já traz melhorias significativas em pessoas com sobrepeso.
- Evite tabaco e álcool em excesso: ambos aumentam o risco de desenvolver a doença.
- Cuide do sono: dormir de 7 a 8 horas por noite ajuda a manter o metabolismo equilibrado noites mal dormidas podem aumentar a resistência à insulina.
Sinais e sintomas de diabetes
Fique atento aos seguintes sinais:
- Sede excessiva e boca seca
- Fome aumentada
- Cansaço e fraqueza constantes
- Visão turva
- Emagrecimento sem motivo aparente (mais comum na diabetes tipo 1)
- Cicatrização lenta de feridas
- Infecções frequentes (pele, gengivas ou região genital)
- Vontade de urinar com frequência, inclusive à noite
Esses sintomas ocorrem porque o organismo tenta eliminar o excesso de açúcar pela urina, entre outros efeitos da hiperglicemia.
O que é glicemia e quais os valores de referência
Glicemia é a quantidade de glicose (açúcar) presente no sangue a principal fonte de energia usada pelas células do corpo. Ela varia ao longo do dia conforme a alimentação, a prática de exercícios e a ação de hormônios, principalmente a insulina.
| Situação | Valor de referência |
|---|---|
| Glicemia normal (jejum) | 70 a 99 mg/dL |
| Pré-diabetes (jejum) | 100 a 125 mg/dL |
| Diabetes (jejum) | 126 mg/dL ou mais |
| Glicemia 2h após teste de tolerância à glicose | 200 mg/dL ou mais |
Observação: o diagnóstico deve sempre ser confirmado por um médico, geralmente com mais de um exame. As complicações crônicas da diabetes surgem quando a doença não é bem controlada ao longo do tempo, podendo afetar vasos sanguíneos, nervos, olhos, rins, pele e função sexual. Leia também: dieta para hipertensos
Exames usados para diagnosticar diabetes
- Glicosímetro: dispositivo portátil que mede a glicose no sangue a partir de uma gota colhida na ponta do dedo.
- Exame de urina: detecta glicose, cetonas e microalbuminúria, ajudando a avaliar hiperglicemia, cetoacidose e função renal.
- Fundoscopia: avalia a retina para identificar retinopatia diabética e prevenir perda de visão.
- Avaliação neuropática dos pés: identifica neuropatia periférica, úlceras e risco de amputação.
- Exames de imagem (ultrassom, ecocardiograma): avaliam órgãos que podem ser afetados por complicações crônicas, como rins e coração.
Tratamento da diabetes
O objetivo principal do tratamento é manter os níveis de glicose no sangue controlados, prevenindo complicações e garantindo qualidade de vida. O tratamento varia conforme o tipo de diabetes, mas costuma envolver mudanças no estilo de vida, monitoramento da glicemia e, em muitos casos, medicamentos.
- Diabetes tipo 1: o corpo não produz insulina, então o tratamento é feito com injeções diárias de insulina (de ação rápida ou intermediária) ou bomba de insulina, associadas a alimentação saudável, atividade física regular e monitoramento constante da glicemia.
- Diabetes tipo 2: o tratamento costuma começar com mudanças no estilo de vida — alimentação saudável, exercícios físicos e controle de peso. Quando necessário, o médico pode prescrever medicamentos orais, como metformina, sulfonilureias ou, em casos mais avançados, insulina.
- Diabetes gestacional: o tratamento é baseado em alimentação equilibrada, exercícios leves e monitoramento regular da glicemia durante a gestação. Em algumas gestantes, o médico pode indicar insulina temporariamente. Após o parto, a glicemia costuma voltar ao normal, mas o acompanhamento deve continuar, pois há risco de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro.
Por que o diagnóstico precoce é importante
Identificar a diabetes numa fase inicial permite começar o tratamento rapidamente e reduzir o risco de complicações. O diagnóstico é feito por meio de exames de sangue que medem a glicemia em jejum, a hemoglobina glicada (HbA1c) ou a glicemia após o teste de tolerância à glicose.
Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores as chances de controlar os níveis de açúcar no sangue por meio de alimentação, atividade física, medicamentos ou insulina, quando necessário.
O controle da diabetes depende de hábitos saudáveis, acompanhamento médico regular e monitoramento constante da glicose — fatores que ajudam a prevenir complicações crônicas e a melhorar a qualidade de vida.
Perguntas frequentes sobre diabetes
Diabetes tem cura?
Não. A diabetes é uma doença crônica, mas pode ser controlada com tratamento adequado, alimentação saudável e atividade física, permitindo uma vida com boa qualidade.
Qual a diferença entre diabetes tipo 1 e tipo 2?
No tipo 1, o corpo não produz insulina devido a uma reação autoimune. No tipo 2, o corpo produz insulina, mas não consegue usá-la de forma eficiente (resistência à insulina).
Quais os primeiros sinais de diabetes?
Os sinais mais comuns incluem sede excessiva, vontade frequente de urinar, cansaço, fome aumentada e visão turva.
Diabetes gestacional prejudica o bebê?
Se não for controlada, a diabetes gestacional pode aumentar o risco de complicações na gravidez e no parto. Por isso, o acompanhamento médico é essencial.
Qual o valor normal de glicemia em jejum?
Entre 70 e 99 mg/dL. Valores entre 100 e 125 mg/dL indicam pré-diabetes, e a partir de 126 mg/dL indicam diabetes.
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BIBLIOGRÁFICAS
- American Diabetes Association - Diabetes InfoStandards of Medical Care in Diabetes—2023. 6ª ed. ADA, 2023.
- Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes. 6ª ed. SBD, 2022.
- Jameson, J. L., & Fauci, A. S. Harrison's Principles of Internal Medicine. 6ª ed. McGraw-Hill, 2020.
- Katzung, B. G. Basic & Clinical Pharmacology. 6ª ed. McGraw-Hill, 2021.
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